Friday, June 30, 2006

Passem por ele no Rossio

A saída do professor Diogo Freitas do Amaral do Palácio das Necessidades terá uma consequência dramática (em todos os sentidos) para a cultura nacional. O agora ex-ministro dos Negócios Estrangeiros alertou, na célebre entrevista a Cândida Pinto, que tinha algumas peças de teatro prontos que só poderiam ser levadas a cena quando abandonasse o Governo. Estão agora reunidas as condições para que Gil Vicente e Almeida Garrett sejam remetidos ao esquecimento.

Dickens haveria de ficar satisfeito

Tendo em conta os anunciados cortes nos descontos das despesas de Educação no IRS, presume-se que o Executivo tem esperança que as famílias portuguesas encontrem rumos de vida mais produtivos para as respectivas proles do que o ócio liceal e universitário. Boas notícias, portanto, para as empresas que fazem sapatos para a Zara e para o sector mineiro em geral.

Perguntar não ofende

Na sequência do encerramento do histórico salão de jogos lisboeta Monumental será que a expressão “dar uma volta ao bilhar grande" acabará por ser substituída por “dar uma volta à loja chinesa grande”?

Apenas mais uma viagem no Metropolitano

Estava eu absorto nos meus pensamentos e protegido da presença dos outros seres humanos na carruagem do Metropolitano pelos desnecessários óculos escuros quando, ao pararmos na estação da Alameda, entrou uma jovem mãe - ninguém lhe pediu o bilhete de identidade mas arrisco designá-la “demasiado jovem mãe” - com uma criança de um ano ao colo e uma expressão triste no rosto. Percorreu com o olhar os lugares sentados, tendo os respectivos ocupantes feito o seu melhor por ignorar a sua frágil presença enquanto resistia aos primeiros solavancos da imparável marcha da composição para Arroios. Até que um homem precocemente calvo, de aspecto rude e braços apropriados à execução de cobranças difíceis lhe fez sinal para que ocupasse a sua cadeira. A demasiado jovem mãe sorriu, sentou-se e viu as mesmas pessoas que, segundos antes se haviam feito despercebidas, brincar com a sua filha. Ao meu lado, o homem precocemente calvo pareceu-me feliz. E eu próprio - abstraindo a distância em relação às restantes formas de vida baseadas no carbono que ali me rodeavam - regressei, como sempre tendo a regressar, a um verso de Álvaro de Campos que abastardo a meu bel-prazer para lhe conferir um optimismo possível. O Universo reconstruiu-se-me com ideal e esperança. Mas estando uns quantos metros debaixo da Avenida Almirante Reis, ignoro se algum dono de tabacaria sorriu.

Piada seca futebolístico-intelectualóide do dia

Garantem os jornais desportivos que o Sporting irá contratar o veterano Carlos Paredes. Muito me regozijo com tal notícia: agora é que vamos ter movimentos perpétuos no meio-campo de Alvalade.

Thursday, June 29, 2006

O estado a que isto chegou

É justo reconhecer que não consigo ser imparcial no que diz respeito a Fernando Ruas. Tendo a lembrar-me sempre da forma como o quintal da casa dos meus avós maternos foi expropriado para a construção do Mercado Municipal a preço de terreno rural - muito embora esteja localizado mesmo no centro de Viseu - e a misteriosa salvação de lotes anexos detidos por pessoas talvez melhor relacionadas. Mas ainda assim há que ser claro: ter um cacique local a apelar ao apedrejamento de representantes do Estado revela o estado a que isto chegou. Depois de ser tão duro com Isaltino e Valentim, será que Marques Mendes irá desta vez calar-se para evitar que a capital da Beira Alta enverede pela primeira vez no maravilhoso socialismo “light”?

Se calhar o Carrilho tem alguma razão

Com uma boa agência de comunicação a trabalhar para ele, talvez Mari Alkatiri não fosse visto como o mau da fita e alguém reparasse que Xanana Gusmão realizou um golpe de Estado nas barbas da comunidade internacional.

Wednesday, June 28, 2006

Momento de rara beleza

Na montra de uma "sex shop" na Rua Passos Manuel um empregado limpa os vidros por entre as manequins (não muito) vestidas com roupa interior alusiva a selecções presentes no mundial de futebol. Não trazia nenhuma máquina fotográfica comigo, pelo que o World Press Photo ficou um bocadinho mais longe.

Tuesday, June 27, 2006

São de quem os apanhar

Falam muito dos africanos da selecção francesa e do Deco, mas esquecem-se de olhar para outros prevaricadores: a selecção espanhola jogou hoje com um brasileiro (Senna) e pelo menos dois catalães (Carles Puyol e Cesc Fabregás).

Mas se calhar é só dos óculos estilosos

Aquilo que mais me impressionou na selecção francesa foi o seleccionador, dotado de um charme discreto de “soixante-huitard" que na juventude devorou cada fotograma da Nouvelle Vague.

E se Cristiano Ronaldo não recuperar?

Ricardo
Paulo Ferreira Ricardo Carvalho Fernando Meira Nuno Valente
Petit Maniche
Miguel Figo Simão Sabrosa
Pauleta

Prognósticos só depois de sábado

Perdoem-me os brasileiros que por aqui passarem os olhos: parte de mim não se importaria nada que o Gana fizesse uma gracinha e avançasse para a fase seguinte, garantindo-nos uma meia-final mais acessível se os heróis do Portugal-Inglaterra voltarem a vingar o Ultimato. A poucos minutos do início do jogo nada parece impossível. Ronaldinho está cansado, Ronaldo tem uns quilos a mais - portanto, se calhar Lula da Silva também bebe mais do que o aconselhável -, Adriano não sabe muito bem o que anda a fazer e os laterais aproximam-se da idade da reforma.

O que faz falta é mudar de Alka

Depois do afastamento de Alkatiri perfilam-se alguns nomes para primeiro-ministro que também não ajoelharão perante os interesses do país natal da primeira-dama. Talvez o melhor seja a comunidade internacional ofertar uns contentores de Alka-Seltzer para serenar Xanana Gusmão e os seus seguidores.

Tanto reconhecimento nem a minha mãezinha

Acabo de reparar que um "post" deste modesto blogue foi citado duas vezes na edição de hoje do "Diário de Notícias". Para quando uma estátua equestre com um papagaio em "rigor mortis" alojado no ombro direito?

Uma questão de capas

Leio no "24 Horas" que o meu velho conhecido Ferreira Fernandes ficou um nadinha agastado por ter sabido que há escutas de Paulo Pedroso e Simões de Almeida a dizerem que Carlos Cruz comprou duas capas da "Focus" numa altura em que o emérito jornalista era seu director. "Se alguém em tribunal disser que eu vendi capas mente. Como gosto de fazer as coisas de forma mais simples, se alguém disser isso leva nas trombas", avisou Ferreira Fernandes.
Eu dou-lhe o meu inequívoco apoio pois sei bem o que custa ser vilipendiado por criaturas infames. Há uns seis anos também houve alguém que me acusou de ter sido pago por outra entidade que não o meu empregador para fazer um trabalho jornalístico. Pode ser que um dia o ex-director da "Focus" me ajude a punir esse vilão.

Monday, June 26, 2006

Não foi notícia (mas podia ter sido)

Incansáveis brigadas da ASAE entram em restaurante japonês e apreendem centenas de refeições: os sacanas dos nipónicos estavam a servir peixe cru.

Conseguimos chegar ao fundo

Além do recorde de cartões apresentados durante um jogo da fase final do Mundial de Futebol, o Portugal-Holanda fica para a História pela forma como os utilizadores de tamancas não devolveram a bola após um lance de perigo para a selecção portuguesa ser interrompido para ser prestada assistência a um futebolista lesionado. Face a isto, Deco fez o que tinha de ser feito e rasteirou o prevaricador. Em vez de um cartão amarelo devia receber uma medalha de mérito.

P.S. - Não me canso de o repetir: nunca irei receber o Nobel da Paz.

Cá estou eu a desculpar o Figo

Sendo Van Bommel jogador do Barcelona e sendo provável a sua razoável fluência em castelhano ou em catalão, o que terá o holandês dito a Luís Figo para que este lhe ofertasse uma ligeira cabeçada?

Friday, June 23, 2006

Chico voltou. Resta saber se está perdoado

Quando no final dos anos 90 comecei a pesquisar a discografia de Chico Buarque fiquei abismado. Suas eram as canções que constituíam parte da banda sonora da minha vida nas décadas anteriores. Desde o “para ver a banda passar” até ao “agora eu era o herói e o meu cavalo só falava inglês”, sem esquecer o “beijou sua mulher como se fosse a única” ou o “apesar de você, amanhã há-de ser um novo dia”. É possível que tenha em CD todas as canções que o maior cantor-compositor do Brasil criou ao longo da vida e, como não poderia deixar de ser, um pedaço daquilo que sou tem a ver com o filho do professor Buarque de Hollanda.
Dito isto, não deixa de ser verdade que o homem a quem me habituei a defender com garras e dentes sempre que se atrevem a menosprezá-lo perante um Caetano Veloso mais dado à alterglobalização pouco ou nada ofereceu aos melómanos nos tempos mais recentes. Chico tornou-se romancista e os raros discos que edita soam fracos perante a grandeza daquilo que vem de trás. Desta realidade nasceu um desencanto que para mim se transformou em ruptura e frieza quando aquele que admiro pela forma como enfrentou ditadores com a força da arte se absteve de condenar - muito pelo contrário - a vaga de repressão que em 2003 levou Raul Rivero e tantos outras figuras da oposição a Fidel Castro ao cárcere.
Até que nas últimas semanas fui bombardeado com o tema "Cinema", do novo disco “Carioca”, que aos poucos conquistou espaço entre as canções que canto baixinho e de boca fechada quando estou a trabalhar ou simplesmente sem fazer nada. No resto do alinhamento ainda não encontrei mais nada que me entusiasmasse por aí além, mas aquele “ela faz cinema/faz cinema/ela é a tal” traz de volta algum do encanto de outrora. É o suficiente para perdoar Chico? Ainda não sei. Mas é um bom começo.

Por vezes a idade não perdoa

Vem mesmo a calhar tendo em conta o próximo desafio Portugal-Holanda, mas não deixa de me causar tristeza o ocaso de Ruud von Nistelrooij, o bom gigante que me fez gostar do Manchester United anos antes de o namorado de Merche Romero aterrar em Old Trafford.

Dúvida shakespeariana acerca de Timor-Leste

Será que a encantadora Kirsty Sword-Gusmão é a Lady Macbeth desta história?

Thursday, June 22, 2006

Valham-nos as pequenas coisas

Gosto de tudo aquilo que accione a engrenagem da minha imaginação. Hoje, ao fazer pesquisa para um trabalho que planeio fazer nas próximas semanas, uma pequena localidade da Beira Alta prendeu-me a atenção. Apesar de se tratar de um lugar remoto habitado por centena e meia de almas, parece-me que poderá haver por lá boas estórias para contar aos leitores.

Não podia ter saído de outra maneira

Entre as minhas leituras de pré-adolescente tiveram papel de relevo "O Triunfo dos Porcos" e "Coração". Graças ao primeiro estruturei o meu anticomunismo reaganista - e o receio das utopias que pretendem reinventar o mundo - e o segundo ensinou-me o que era o amor à pátria. Será que a minha história seria diferente caso tivesse lido na mesma altura "A Cabana do Pai Tomás" e "O Diário de Anne Frank"?

Momento típico de uma quinta-feira

Alguém recorda, completamente a despropósito, as célebres revistas de fotonovelas pornográficas Gina e Tânia. Desses resquícios da minha longínqua adolescência retenho sobretudo o facto de os sucintos diálogos transcritos em três ou quatro idiomas me garantiram uma estranha fluência no género de italiano falado nas ruas.

Wednesday, June 21, 2006

Venham os tanguistas ou os criadores de tulipas

É oficial. Fui eu o único português que não assistiu aos noventa e tal minutos que recolocoram Portugal entre o escol do futebol mundial. Tinha consulta marcada para as 15h00 e, apesar de o médico ter telefonado à hora do almoço para certificar-se da minha presença, não me passou pela cabeça faltar. Recebi as notícias dos dois golos por SMS no consultório - em boa verdade os gritos de alegria ouvidos na Avenida Duque de Loulé não deixavam muitas dúvidas quanto o que estava a acontecer na Alemanha - e regressei à redacção a tempo de presenciar o entediante segundo tempo. Só mais tarde pude ver no resumo o oportuno golo de Maniche, a enésima paradinha de Simão e o inquietante episódio de ternura entre Caneira e Ricardo. Depois de sobrevivermos a isto o mais certo é que a selecção vença qualquer adversário.

Juro por tudo o que é mais sagrado

Se um génio da lâmpada me concedesse três desejos era bem capaz de gastar um deles com o pedido para que mais nenhum canal de televisão fizesse reportagens em que o jornalista pergunta a elementos folclóricos, escolhidos por entre uma multidão cheia de adrenalina, álcool e vontade de aparecer, se estão muito satisfeitos por a selecção ter vencido.

Tuesday, June 20, 2006

E, no entanto, funciona

Hoje fui a um tribunal consultar um processo. Toda a gente pareceu-me muito competente e bastante atenciosa e trabalhadora. Em total contraste com a paisagem de “dossiers” amontoados em todos os cantos, como se o director de produção de uma longa-metragem distópica sobre um Estado ultraburocrático tivesse acabado de construir aquele cenário de propósito para a filmagem da cena.

E tudo a cerveja levou

Com a ida de António Pires de Lima para a presidência da Unicer é certo e sabido que a direita portuguesa fica de ressaca.

Monday, June 19, 2006

A tecnologia está apostada em liquidar-nos

Ontem à tarde comecei a sofrer os efeitos de uma carga de água que desabou na minha desprotegida pessoa na sexta-feira. Primeiro vieram tremendas dores de cabeça e depois percebi que estava a ficar quente. Procurei um termómetro digital e constatei que, com minutos de diferença, apresentava uma vasta gama de temperaturas corporais entre 36,6 e 37,8 graus. Lá tive de rebuscar gavetas até lograr encontrar um dos antigos. Afinal estava com 38 graus e assim permaneci, com ligeiras variações, até às cinco da madrugada. Eis um caso em que o conhecimento da verdade não me trouxe especial conforto. Será que os termómetros digitais fazem parte de um plano para aumentar a produtividade dos calaceiros que insistem em dizer-se adoentados.

O Papagaio Morto faz uma vénia

José de Pina realizou na noite de sábado, no programa “Prazer dos Diabos” (SIC Radical), a mais arrasadora sátira do Bloco de Esquerda de que tenho memória. Cheguei a sentir pena do professor Rosas, do professora Anacleto e do Daniel Oliveira. Mas passou-me num fragmento de segundo.

Will the real Cristiano Ronaldo please stand up?

Ainda não percebi se Figo e Deco terão de carregar a selecção às costas ou se receberão ajuda madeirense somewhere along the road.

Wednesday, June 14, 2006

Duvido que me arranjem um subsídio do ICAM

Não me quero armar em realizador de documentários mas ontem presenciei uma cena que poderia constar num eventual “Lisboetas 2: A Vingança”, longa-metragem em que nem todos os cidadãos estrangeiros que demandaram a capital portuguesa seriam ainda mais bonzinhos e explorados do que a moça da “Floribella”.
Estando eu a bordo de um autocarro da Carris dirigido ao Martim Moniz [atente-se na rima que, julgo eu, nunca foi utilizada pelos Ena Pá 2000], não pude deixar de tomar devida nota da presença de uma família de etnia difusa - suponho que eram romenos ou moldavos mas isso parece-me secundário para o desenrolar dos acontecimentos - espalhada por três filas de cadeiras de plástico. Mais atrás, do lado direito, o presumível pai de aspecto vagamente árabe fazia por abstrair-se do que a um metro de distância se passava. A suposta mãe, de idade indefinida e aspecto de bruxa dos contos infantis pré-politicamente correcto, esbofeteava ritmadamente o seu irrequieto pimpolho de cinco ou seis anos. Este respondia-lhe com risadas, deixando adivinhar que aquela poderia ser uma sonora demonstração de afecto. Sempre que alguém – como dizê-lo? - menos claro de pele entrava no autocarro havia uma rápida troca de palavras seguida de gargalhadas e do tipo de linguagem gestual que levaria alguns futebolistas a abandonar relvados com lágrimas nos olhos.
Quase no final da viagem, o miúdo começou a saltar no banco de plástico, perante o ar embevecido da progenitora e o enfado do patriarca. Temi que uma travagem brusca provocasse uma situação capaz de ganhar lugar no alinhamento dos telejornais mas o escasso trânsito do feriado municipal encarregou-se de evitar desgraças. Pelo menos até à entrada em cena de uma idosa portuguesa que não ficou encantada com a demonstração de trampolim do petiz e tentou iniciar uma vaga de fundo com recurso a comentários sobre má educação lançados para os restantes passageiros. O pai entendeu o teor do discurso da provável militante da Frente Nacional e disse algo em idioma misterioso à consorte, levando a que esta fitasse e lançasse umas quantas pragas à semi-interlocutora.
E eu? Havia chegado à minha paragem e, com o tipo de frieza distante típica dos operadores de câmara do National Geographic, abdiquei de envolver-me no iminente tumulto.

Este blogue ficou a meia-haste...

...devido à pesada derrota da selecção pela qual sofrem grande parte dos residentes aqui da Avenida Almirante Reis. E ainda por cima às mãos - melhor dizendo, aos pés - dos “nuestros hermanos”.

Tuesday, June 13, 2006

Saravá, povo irmão (e parabéns pela vitória)

Depois da família Medina e do seu esforço para construir um mundo melhor, a minha surdez continua a ser desafiada por brasileiros. Desta vez pelos fiéis de uma igreja evangélica da Rua Óscar Monteiro Torres que assistiram ao Brasil-Croácia. Mesmo que estivesse vendado ser-me-ia impossível não perceber quando o perigo rondava a baliza do meu país-europeu-favorito-entre-aqueles-onde-nunca-estive. E quando o Kaká marcou o golo da vitória os gritos soaram tão alto que sou capaz de jurar que mais uma dúzia de rachas alojaram-se nas paredes das minhas modestas assoalhadas.

Comentário sobre o último dia da Feira do Livro

Fui, observei, tirei notas e até comprei um livro. Sexta-feira o relato sairá nas páginas do Independente e, se a tanto me auxiliar o “copy-paste”, também neste blogue.

Para a frente é que é o caminho

Apanhei hoje um táxi cujo condutor, um jovem brasileiro gloriosamente desprovido de carteira profissional - muito embora tivesse um GPS desligado no “tablier”, o que acaba por compensar a primeira falta -, ignorava o paradeiro de misteriosas parcelas da cidade de Lisboa como o Areeiro ou a Avenida João XXI. Por sorte estávamos na Almirante Reis e a navegação não foi além de “siga em frente até ao prédio grande lá ao fundo e depois vire para a esquerda”. E a viagem lá se desenrolou sem problemas de maior, tendo o condutor manifestado interesse em perguntar ao consultor sentado no banco traseiro os nomes de algumas artérias por onde íamos passando. Sendo eu uma alma caridosa resisti à tentação de anunciar que a porção de asfalto, passeios, casas e semáforos que liga a Praça de Londres ao Hospital Júlio de Matos se chama Avenida Leonardo Ralha.

Depois espantem-se que a retoma nunca mais apareça

Como é possível que nenhuma alma se tenha lembrado de fabricar (ou, vá lá, importar) bandeiras da Ucrânia? A avaliar pelo número de janelas ornamentadas com o verde e amarelo, sou capaz de apostar que em muitos bairros de Lisboa descobriríamos de uma vez por todas que os portugueses são uma minoria.

Monday, June 12, 2006

Dúvida ainda mais inquietante

Estará mesmo Deco lesionado ou a sua ausência não passará de uma concessão de Luiz Felipe Scolari aos argumentos do PNR?

Perguntar não ofende

Depois da inolvidável actuação de ontem à noite será que Pinto Coelho, presidente do PNR, mantém a convicção de que a presença de Deco na selecção nacional é escandalosa?

Aguentem-se com esta

Valha-nos Angola, cuja selecção está gloriosamente longe de poder competir a sério num mundial de futebol. Alguma vontade e demonstrações de talento (Zé Kalanga) não fazem um onze. O melhor da noite foi o momento em que Akwá saiu de campo e o pálido Figueiredo tornou-se o capitão. Para os loucos racistas - pois é, pois é... - que infernizaram a vida de Stiviandra Oliveira por ser uma “miss” com a pele demasiado clara, a visão de um “pula” a liderar a equipa deve ter garantido uma linda azia... Como dizia o outro, habituem-se!

A perna com que finta é Portugal

Luís Figo é um moço da minha idade - e isso começa a ser evidente, muito embora ele não tenha (ainda) a barrigona que eu me esforço por perder. Mas foi esse homem de 33 anos que ontem pegou na bola e evitou que a desgraça inicial tivesse consequências mais gravosas. Quando o futebolista que provavelmente nunca aceitará que Filipe Soares Franco decida o valor do seu salário toma conta do jogo português a classe e a (passe o futebolês) objectividade invade o relvado. Há muita inteligência. Mas também muito esforço. Bem no final do Portugal-Angola o realizador pôs no ar um plano apertado do homem do “Pastilhas” e fiquei com a certeza de que ele estava estafado. Tanto melhor. Os heróis ganham dimensão quando percebemos o quanto são humanos.

Isto não vai ser fácil

Escrevi no Independente, aquando da lesão de Jorge Andrade, que era melhor esquecer o sonho de a selecção portuguesa sagrar-se [adoro esta palavra] campeã na Alemanha. Depois do jogo com Angola fiquei também com a certeza de que Fernando Meira e Nuno Valente serão os coveiros de Scolari. E deixo uma pergunta: com que espírito ficará Caneira ao reparar que é suplente dos dois cavalheiros acima referidos?

Wednesday, June 07, 2006

Uma falta imperdoável

Aqui no plácido Carvoeiro há quase tantas bandeiras do Brasil e de Inglaterra quanto de Portugal nas janelas. Tambném há lojas cheias de material desportivo, celebrando a mestria de Figo, Cristiano Ronaldo, Beckham ou Rooney. Só não encontro o maravilhoso equipamento da Croácia em lado nenhum...

Não deve haver muita gente assim (thank God)

Hoje de manhã acordei, virei-me para quem me atura e perguntei-lhe:

- Da mesma forma que o peixe pode ser português, espanhol ou norueguês, será que aquele que é apanhado em alto-mar, fora de qualquer zona económica exclusiva, é apátrida?

Depois, ainda antes de ela responder, arrisquei:

- Talvez seja apenas ilegal.

Sunday, June 04, 2006

Ideias para quando for director de Programas

Ontem à noite fui incauto ao ponto de assistir a um ou dois minutos do concurso “Dança Comigo”, com a qual a RTP preenche as noites de sábado quando não lhe dá mais jeito passar o programa ao domingo. A apresentadora estava a incitar os telespectadores a exercerem o inalienável direito ao voto telefónico através de chamada de valor acrescentado, podendo repescar algumas das figuras públicas eliminadas nas semanas anteriores, quando me apercebi de uma injustiça que até agora escapou aos colunistas que dedicam um em cada dois textos ao direito à orientação sexual. Pude observar que, devido aos preconceitos que comandam a televisão pública, todos os participantes no “Dança Comigo” fizeram dupla com bailarinos profissionais de outro sexo, o que não foi decerto aprazível para alguns deles. Pergunto-me até se não terá sido esse o motivo de não terem conseguido melhor prestação na pista de dança.

Now the music is over

Tenho dois anos para dinamitar o Parque da Bela Vista, assegurando desse modo (talvez radical em demasia para os espíritos mais pacíficos) que em Junho de 2008 conseguirei adormecer antes das quatro da madrugada. Eu não fui ao Rock in Rio mas posso assegurar, pelo que ouvi a quilómetros de distância do recinto, na possível tranquilidade do meu lar, que a tenda electrónica esteve animada ao longo das noites de sexta-feira e de sábado. Se não acreditarem em mim podem sempre perguntar aos outros milhares de lisboetas olheirentos aos quais a família Medina estragou o sono.

Friday, June 02, 2006

Mais um em que farei questão de ir trabalhar

Talvez tenha confundido o “Diário de Notícias” com o “Inimigo Público” pela manhã, mas lembro-me vagamente de ter lido que alguns deputados do PSD pretendem instituir o Dia do Cão no calendário. Quem me conhece sabe perfeitamente que os gatos estão mais próximos do meu coração, o que não me impede de apoiar a iniciativa com todo o entusiasmo que este calor permite. Enquanto os social-democratas estiverem ocupados com esta sentida homenagem aos comedores de Pedigree Pal não terão tempo para inventar coisas realmente nocivas para o país.

E se fosse apenas três sílabas...

Nada diz mais sobre o estado deste país do que a inexplicável sucessão de artigos em todos e mais alguns títulos de imprensa sobre uma jornalista-entertainer mexicana que veio a Portugal para acompanhar o estágio dos seleccionados de Scolari. A rapariga é realmente giraça - embora o Cristiano Ronaldo deva pensar, com toda a propriedade, que não chega aos pés da Merche Romero -, mas tamanha excitação revela que a noção do ridículo é bem capaz de ter sido a primeira vítima do aquecimento global neste rectângulo à beira-mar plantado.

Thursday, June 01, 2006

Qualquer dia até é modalidade olímpica

Que melhor exemplo de vida conjugal do que eu e a minha “better half”, cada qual a empunhar a sua vassoura, numa desesperada tentativa de encaminhar as malditas mariposas para fora de nossa casa?
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